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Rubio afirma que Brasil se beneficia mais como aliado dos EUA do que da China

Declaração ocorreu antes do encontro entre o presidente brasileiro Lula e o presidente dos EUA, Trump, na Malásia

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no sábado (25) que, a longo prazo, seria benéfico para o Brasil ter os Estados Unidos como parceiro comercial preferencial em vez da China. A declaração foi feita a jornalistas durante voo para Kuala Lumpur, na Malásia, onde se espera que, neste domingo, ocorra uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, que participam da cúpula da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste Asiático).

Rubio também mencionou que questões políticas podem estar ligadas a um possível acordo entre os dois países:

“Temos alguns problemas com o Brasil, especialmente sobre como certos juízes têm sido tratados, questões do setor digital nos EUA e indivíduos localizados aqui, via redes sociais. Será necessário resolver isso. O presidente vai explorar maneiras de lidar com esses pontos, pois acreditamos que será benéfico. Mas levará algum tempo.”

O encontro entre Lula e Trump não consta na agenda oficial do presidente brasileiro, mas deve ocorrer no final da tarde do horário local (início da manhã no Brasil). A pauta central deve ser a redução das tarifas aplicadas pelo governo americano ao Brasil.

A organização da reunião envolveu empresários e diplomatas, com atenção especial ao local do encontro, considerando o comportamento imprevisível de Trump. Enquanto Lula deve focar na redução das tarifas e na aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, Trump deve priorizar o acesso ao mercado de etanol brasileiro e a regulamentação das big techs.

Antes do embarque para a Ásia, Trump afirmou que poderia reduzir as tarifas “sob as circunstâncias certas”, enquanto Lula destacou que ainda não há exigências de nenhum dos lados:

“Trabalho com otimismo para que possamos encontrar uma solução. Não há exigências dele, nem minhas.”

O encontro presencial é resultado de uma série de contatos anteriores:

  • No início de outubro, Lula conversou por teleconferência com Trump, pedindo a retirada das tarifas.
  • O empresário Joesley Batista, da JBS, foi recebido por Trump para discutir o impacto do tarifaço nos produtos brasileiros.
  • Representantes da Embraer também auxiliaram na articulação do encontro.

O gesto de Trump na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde mencionou ter havido “química” com Lula, contribuiu para aproximar os líderes. Depois, o vice-presidente Geraldo Alckmin conversou com Howard Lutnick, secretário do Comércio dos EUA, sobre o tema.

O governo brasileiro buscou que a reunião ocorresse em um terceiro país devido à imprevisibilidade de Trump e ao receio de que uma visita a Washington pudesse colocar Lula em situação desconfortável, como aconteceu com líderes europeus anteriormente.

A viagem de Lula à Ásia, que inclui a participação de cerca de 100 empresários, também busca diversificar os mercados brasileiros e reduzir a dependência dos Estados Unidos. Esta é a segunda parada do presidente na região; na primeira, em Jacarta, na Indonésia, Lula disse que a taxação é o tema principal, mas que nenhum assunto está vetado:

“Podemos discutir de Gaza à Ucrânia, Rússia, Venezuela, materiais críticos, minerais e terras raras. Qualquer tema pode ser abordado.”

Também é possível que Lula aborde com Trump uma possível incursão militar dos EUA na Venezuela, que, segundo o governo brasileiro, poderia desestabilizar a América do Sul e fortalecer o crime organizado.

O governo do Brasil não espera resultados imediatos do encontro, uma vez que as negociações oficiais começaram recentemente. O objetivo é que a reunião impulsione os negociadores a buscar um cenário positivo para o país.

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